A Farsa Ianomâmi
   
Coronel(Ref) Rubem Moura Jardim


Recentemente, a Biblioteca do Exército distribuiu aos seus associados um livro com o título em epígrafe, de autoria do Coronel Carlos Alberto Menna Barreto, em que aquele militar denunciou a inexistência, em território brasileiro, de tribo de índio com a denominação "Ianomami".

É sabido que durante o governo Collor foi decretada a demarcação de vastíssima "Reserva Ianomami", de cerca de 97 mil Km2, destinada a uma suposta preservação da referida tribo. Tal reserva, além de chamar à atenção pela enorme área em relação à pequena população indígena lá existente, ainda uma parte se encontra situada na faixa de fronteira de 150 Km, o que desrespeita o parágrafo 2º, inciso XI, do Art. 20 da nossa Constituição.

Infelizmente, o Coronel Menna Barreto faleceu no ano passado. Era distinto oficial da Arma de Infantaria, pára-quedista e com o curso de Comando e Estado-Maior do Exército. Depois de comandar o 26º Batalhão de Infantaria Pára-quedista, foi designado Comandante do 2º Batalhão Especial de Fronteira e, a seguir, Comandante do Comando de Fronteira de Roraima (em território abrangido pela "Reserva Ianomami", durante os anos de 1969, 1970, 1971). Posteriormente, foi Secretário de Segurança Pública do atual Estado de Roraima, ao longo dos anos de 1985, 1986, 1987, 1988, portanto, com larga e prolongada vivência nos assuntos daquela região amazônica.

No desempenho daquelas atribuições funcionais, o Coronel Menna Barreto percorreu seguidamente o território da chamada "Reserva Ianomami", não encontrando, por incrível que possa parecer, nenhuma tribo com esse nome dentre as 18 relacionadas, fruto de suas minuciosas pesquisas "in loco".

Concluiu daí, o ilustre militar, com sua competência e zelo profissional, que a tribo Ianomami não passa de história de ficção ou de uma farsa, o que o levou a dar o título ao seu livro: "A Farsa Ianomami".

No citado livro, o Coronel Menna Barreto informa que a possível origem do nome "Ianomami" de corre de uma referência feita por uma jornalista belga, Claudia Andujar, que desembarcou no Brasil como fotógrafa. A julgar pela profissão e origem, faltava a essa belga competência para batizar nome de tribo de índio no Brasil.


Esclarece em seu livro que em suas investigações feitas e em estudos realizados por Antropólogos e Indianistas que percorreram a área em questão, jamais encontrou qualquer referência à tribo "Ianomami".

Em respaldo às afirmações do Coronel Menna Barreto, cabe acrescentar não ter sido encontrada na publicação intitulada "Índios do Brasil" (IIº volume), de autoria do saudoso e respeitado indianista Marechal Cândido Mariano da Silva Rondom, edição 1958 do antigo "Conselho Nacional de Proteção aos Índios", nenhuma alusão à tribo "Ianomami", dentre as levantadas na região. Dentre as seis tribos arroladas por ele no vale do Rio Uraricoera, em Roraima, apenas quatro encontram-se entre as 18 tribos de Roraima da relação do Coronel Menna Barreto, e nenhuma é da tribo "Ianomami".

Ressalte-se que no livro, o Coronel Menna Barreto denunciou haver evidências de interesses internacionais na demarcação de tão vasta área, acrescentando existirem na região, pequenos grupos remanescentes de índios de várias tribos, com língua, costumes e aspectos físicos diferentes, os quais, por interesses inconfessáveis ou suspeitos, estão sendo relacionados sob o mesmo rótulo de "Ianomami".

Finalmente, seria conveniente saber em quais estudos antropológicos e pesquisas indianistas o Governo Collor se baseou para mandar executar a demarcação da "Reserva Ianomami". No caso de ficar constatada sua inexatidão, falha nos dados existentes à respeito da tribo "Ianomami" ou descumprimento do parágrafo 2º, alínea XI, do Art. 20 da nossa Constituição, o melhor seria tornar sem efeito essa extemporânea demarcação, e porque não dizer, subjetiva "Reserva Ianomami".

A República Ianomâmi ?

Ruy de Paula Couto
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O autor fala dos interesses obscuros relacionados com a criação da área Ianomâmi
e alerta para o surgimento no exterior da idéia de uma “República Socialista Ianomâmi”.

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A respeito dos chamados Ianomâmis, convém iniciarmos lembrando a
inexistência de tribo com tal denominação em território brasileiro, pelo menos
até o ato de nosso Governo Federal que assim denominou os remanescentes de
diversas tribos locais, perfazendo um total de cerca de seis mil indivíduos.

Essa foi a conclusão de indianistas e estudiosos da área amazônica, como o
saudoso Cel Carlos Alberto Menna Barreto, que exerceu vários comandos na
fronteira e, posteriormente, foi Secretário de Segurança do Estado de Roraima.
Havendo passado cerca de dez anos pesquisando os assuntos daquela região,
percorreu inteiramente a área dita Ianomâmi, onde apenas encontrou grupos
esparsos de índios, com línguas, costumes e até tipos físicos diferentes, mas
nenhuma, entre as dezoito tribos relacionadas, com a denominação “Ianomâmi”.

Após minuciosas pesquisas, escreveu o livro “A Farsa Ianomâmi”, publicado
pela Biblioteca do Exército, afirma que “a tribo Ianomâmi não passa de história
de ficção ou de uma farsa”
, parecendo que esses grupos esparsos, por “interesses
inconfessáveis estão sendo relacionados sob o mesmo rótulo de Ianomâmi” e
naturalmente instruídos posteriormente, para que confirmem essa denominação.

Apesar disso, o Presidente da República da época, recebendo pressão dos
E.U.A., conforme foi noticiado, determinou a demarcação do imenso território de
94.000 km2 e, para cúmulo, deu a denominação de “nação”, como se fosse possível
haver outra nação dentro da Nação Brasileira.


Esse ato, que afronta a soberania nacional, atendeu aos interessados na
internacionalização da Amazônia, que agora podem clamar pela libertação do “povo
dominado e espoliado” pelo BRASIL.

Já existem fatos concretos que demonstram claramente que tudo foi obra de
bem montada manobra internacional visando ao futuro desmembramento da nossa
Amazônia
. A revista “A Defesa Nacional”, em seu número do 2o trimestre de 1996,
publica interessante artigo de autoria de Gilberto Paim sob o título “Sobre a
República Socialista Ianomâmi”, no qual comenta:

“Há algum tempo, encontram-se em discussão específicos da situação de
algumas populações indígenas na região Norte. Examina-se, em particular, a
questão das vastas extensões oficialmente definidas como terras indígenas, em
favor de grupamentos ianomâmis, nas reservas para eles deferidas no Amazonas e
em Roraima".

Podemos considerar ridículo o chamado “Governo da República Socialista
Ianomâmi”, formado no exterior, que tem como presidente um cidadão americano,
Mr. Charles Dunbar
, nascido em Conneticut e “naturalizado” ianomâmi. O
vice-presidente é alemão, e os ministros pertencem a várias nacionalidades
. Faz
parte do governo um índio, Akatoa, supostamente de origem ianomâmi. Para
completar o ridículo, a República Socialista Ianomâmi tem um “parlamento”
composto de 18 membros. Não obstante seus aspectos risíveis, o Brasil não pode
ficar indiferente a iniciativas como a dessa República que tem um governo no
exílio.

Para completar a farsa, esse governo até emite passaporte. O Governador
Neudo Ribeiro Campos, de Roraima, em outubro de 1996, durante o III Encontro
Nacional de estudos Estratégicos, realizado no Rio de Janeiro, mostrou um
passaporte expedido pela “Nação Ianomâmi”, demonstrando claramente que pretendem
fazer com que o governo dessa “nação” se apresente como um fato real, com vida
própria.

Podemos afirmar que nada tem de ridículo a criação desse “governo exilado”,
pois tudo demonstra que está dentro de manobra internacional, muito bem
planejada e em plena execução, visando a conseguir, ou pelo menos, a tentar
apossar-se dos 94.000 km2, em território brasileiro, ao qual somam-se outros
83.000 km2 na Venezuela, totalizando 177.000 km2
, pois, conforme preconizam os
“verdes”, deve ser mantida a unidade territorial indígena, e tudo seria
facilitado pela inexistência de linha divisória perfeitamente demarcada na
região.

Todos os atos demarcatórios parecem haver sido comandados do exterior,
contando com o apoio de entreguistas, que tudo facilitam para que sejam feitas
essas exageradas delimitações de áreas, onde supostamente viveriam indígenas,
através de simples portarias do Ministério da Justiça, sem que tivessem sido
ouvidos os órgãos responsáveis, como o Congresso e o Conselho de Defesa
Nacional.

A qualquer momento, pode ser desencadeada uma campanha, bem orquestrada, pela
independência dessa “pobre nação, subjugada e explorada” , como alegarão, pela
Nação Brasileira, e isso terá pleno apoio da ONU e do Grupo dos Sete.
Que espera nosso Governo para eliminar essa manobra, anulando a denominação
de “nação”, conferida a essa descomunal reserva?


Atualmente o narcotráfico está permitindo uma grande ingerência externa na
situação interna da Colômbia, não estando descartada a intervenção militar, como
foi proposto pelos E.U.A., por parte de um grupo de países, “vizinhos ou
simplesmente relacionados política e economicamente” (!?). A situação de uma
força militar dessa natureza na fronteira do BRASIL acarretará problemas muito
sérios, pois, em tal caso, esbarrarão com as FARC que procurarem refúgio no lado
de cá? A nossa guarnição militar na região terá condições para garantir a
inviolabilidade do território nacional?

Uma ação dessas demonstraria a facilidade com que poderão ser feitas outras,
inclusive para apoiar a “independência” da “República Socialista Ianomâmi”.